quarta-feira, 27 de junho de 2007

Histórias do sr. Keuner


O Reencontro

Um homem que o o sr. K não via há muito o saudou com as palavras: "O senhor não mudou nada". "Oh!", fez o sr. K., empalidecendo.


Sobre a traição

Deve-se manter uma promessa?
Deve-se fazer uma promessa?
Quando algo tem que ser prometido, não existe ordem. Então deve-se produzir essa ordem. O homem não pode prometer nada. O que o braço promete à cabeça? Que continuará um braço e não se tornará um pé. Pois a cada sete anos ele é outro braço. Se um trai o outro, trai o mesmo ao qual prometeu? Na medida em que alguém a quem algo foi prometido se vê em circunstâncias sempre novas, e portanto muda conforme as circunstâncias e se torna outro, como poderá ser mantida a ele a promessa feita a um outro? Aquele que pensa trai. Aquele que pensa nada promete, exceto que continuará sendo um homem que pensa.


[Aquilo que o sr. Keuner era contra]

O sr. Keuner não era a favor de despedidas, nem de saudações, nem de aniversários, nem de festas, nem do término de um trabalho, nem do começo de um novo período de vida, nem de acertos de contas, nem de vingança; nem de juízos conclusivos.



Bertold Brecht. Histórias do sr. Keuner. Tradução Paulo César de Souza. Ed. 34, 2006.

2 comentários:

Penélope ou Eugénie disse...

Aliviou bastante a minha "consciência", Sr. SubterrâneO.
E quanto ao futuro: apenas prometo que continuarei sendo uma mulher que pensa.

Eugénie disse...

Seis meses depois e sinto-me mais do que aliviada. Liberta.
Não apenas pensei desta vez, meu caro. E quanto ao prometido, perdeu-se.
Ah! e leve esse bando de sanguessugas que causam-me enjoo.